Capítulo 3 - E agora?
- 16 de out. de 2015
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Depois de tanta alegria ao lado de nossa filha, no final do mês de janeiro de 2012 recebemos um telefonema da Antonia. Ela queria a criança de volta, simples assim... Entramos em pânico, eu chorava copiosamente só de pensar em ficar longe de minha filha. Ah, mas vcs só estavam há 5 meses com a menina...Podem alegar. Alguém aí tem um bebê de 5 meses de idade? Seria fácil se separar do seu bebê ? Vcs já não têm vínculos de amor? Ah... só quem não tem filhos, pode pensar assim... Marcamos um encontro, algo estava errado, ela sempre esteve tão decidida a não querer a menina, e agora de repente, muda de ideia? Esperamos muito tempo no local combinado até que Antonia chegou acompanhada por um rapaz, que tomava calmamente um refrigerante, e disse , sem mudar o semblante do rosto, sem derramar uma lágrima, que queria a criança de volta, e aquele era o pai dela, o tal ex namorado, pai do primeiro filho. Eu chorava tanto que as pessoas na rua paravam pra olhar... não conseguia entender o que estava acontecendo... Pai de Rafaela? Mas ela disse o tempo todo que nem sabia quem era o dita cujo... A certidão não tinha nome de pai... Nunca vou me esquecer do rosto, da expressão dos dois naquele dia... parecia que haviam me emprestado um objeto e agora queriam que eu devolvesse... Eu entenderia ver uma mãe aos prantos, me pedindo desculpas, e dizendo: eu achei que conseguiria, mas não posso ficar longe de minha filha, Paula eu voltei com meu namorado, vamos criar a Rafaela...vamos fazer isso juntas, eu errei dando a minha filha.. Mas não! Em nenhum momento vi sentimento nela, apenas queria a criança de volta e pronto! Não dizia o motivo...E o rapaz, continuava tomando seu refrigerante calmamente, nem de longe parecia um pai enganado, que descobriu a existência de uma filha e agora estava brigando por ela... Ainda me perguntaram: cadê a Rafaela, você não trouxe? Claro que não! Eu tinha uma guarda provisória assinada por uma juíza que dizia que eu poderia me opor até aos pais biológicos! Ela estava sob os meus cuidados. Mandei que ela fosse até a Vara da Infância, as coisas não seriam feitas assim, havia um processo de adoção em andamento. Eu só entregaria a criança com ordem da justiça . Meu marido, muito nervoso, perguntou ao rapaz se ele era mesmo o pai da Rafa, porque a justiça iria mandar fazer teste de paternidade, .aí ele respondeu: ela é que está dizendo que eu sou o pai... Ainda tentei ligar pra o médico que a Antonia foi procurar quando quis dar o bebê, ele tentou conversar com ela ao telefone, mas ela estava irredutível... Voltamos pra casa.. eu abracei forte minha filha amada, e daquele momento em diante começou uma batalha na justiça... Pedimos teste de paternidade para saber se o tal João era mesmo o pai biológico da Rafa, mas a juíza indeferiu o nosso pedido.Coisas da nossa justiça, até hoje tento entender porque ela fez isso... E ainda mandou que fosse acrescentado o nome do João na certidão de nascimento da minha filha. E o melhor, sabe quem ela mandou ir no cartório lá longe perto de onde eles moram para fazer isso? Nós!Eu e meu marido que tínhamos a guarda da criança... Antonia alegou que estava em estado puerperal , a tal depressão pós parto quando deu a Rafa para adoção, e agora tinha se arrependido... Gente, depressão pós parto, o nome já diz, acontece depois do parto... ela desistiu da Rafa ainda na gravidez... e eu tinha como provar isso.. exames, testemunhas... vale lembrar que Antonia se encontrou comigo na CEF para tirar o CPF da Rafa, estava muito bem, e ainda me contou a briga com o namorado porque estava na balada de madrugada... depressão na balada? De resguardo e um filho de 2 aninhos em casa? Deixa quieto... Infelizmente nem todas as mulheres nasceram para serem mães... Onde estava a depressão pós parto quando ela foi conosco na vara da infância para assinar e dar entrada na adoção? Ela conversou normalmente com a defensora . E não esqueçam aquele documento que ela assinou e eu registrei em cartório antes da Rafa nascer... Ainda assim a justiça preferiu acreditar na tal depressão pós parto ... Passamos muitos dias indo na Vara da infância, pegando senha, sentados numa cadeira dura, esperando horas por uma informação, por esclarecimento, e as vezes voltávamos pra casa sem nem sermos atendidos...Faltamos dias de trabalho... Vimos de tudo, ali naquele lugar... muitas famílias sofrendo por anos, na tentativa de concretizar a adoção de crianças que já criavam... Uma vez vimos uma moça ainda novinha, chorando muito, ela caía de joelhos pedindo por ajuda... sua filhinha do coração tinha sido devolvida para a mãe biológica, que era drogada, morava numa favela em péssimas condições de higiene, e estava sendo espancada, segundo os vizinhos...Estava podendo ser morta a qualquer momento...Nunca mais esqueci o nome daquela criança : Bruna! Eu a abracei e chorei com ela. pedi a Deus que protegesse a Bruna e resolvesse o caso o mais rápido possível! A juíza assinou o pedido de busca e apreensão da criança, ela voltaria para a mãe do coração... mas já estava assinado há 2 semanas e esta moça ia todos os dias na Vara da infância, mas sempre tinha uma desculpa, e o oficial de justiça não ia buscar a menina... talvez estivesse com receio pelo local que era perigoso, mesmo com a escolta policial... A Bruna voltou pra mãe verdadeira depois de mais de 2 semanas... e como esta, vimos muitas histórias tristes, coisas ,que ninguèm imagina que aconteça lá... Um dia a defensora pública que nos atendia disse, que como a mãe biológica tinha desistido de dar a filha, ela faria uma mudança, não seria mais uma adoção com anuência da genitora, mas sim adoção com destituição do poder familiar, disse que o fato dela ter dado a criança, já constituia um abandono... Encontrei com Antonia algumas vezes na Vara da Infãncia, com aquela cara de quem tem todos os direitos e pode fazer o que quer... Lembram o que ela me disse no dia em que demos entrada na adoção da Rafa, quando uma mulher estava lá querendo tomar a filha de volta? Pois é, ela disse que a mulher merecia uma surra! Nos sentimos traídos...todo a afeição que tínhamos por ela, todo o carinho que a tratamos, e ela não teve nenhuma consideração conosco... Toda esta batalha judicial culminou numa audiência de julgamento, que aconteceu no dia 27 de junho de 2013. Justiça rápida né? Parece piada, mas não é.. Agora, era enfrentar a audiência! Tínhamos a defensora que nos acompanhou desde o começo, tínhamos várias testemunhas, e provas de que a depressão pós parto era uma mentira,e vimos o nome do juíz na intimação para a audiência, ele era bom! Nós o conhecíamos de nome, era um homem justo e sensível. Era só esperar! No próximo capítulo eu falo da tal audiência, que nos tirou nossa filha, audiência cheia de arbitrariedades e dor... Nunca vou esquecer aquele dia ...













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