top of page

Capítulo 5 - Início da reinserção gradativa à família biológica

  • 14 de out. de 2015
  • 6 min de leitura

Na semana seguinte a audiência, já fomos chamados para conversar com as psicólogas na Vara da Infância. Nos disseram que a partir da próxima semana teríamos que trazer a Rafa para que ela ficasse em contato com os pais biológicos . A princípio uma vez por semana, depois duas vezes. O meu pranto continuava. Combinamos horário. A psicóloga disse que se não pudéssemos vir, poderia mandar alguém levar a Rafa. De maneira nenhuma! Eu não deixaria minha filha naquele momento. E no dia da primeira visita estávamos lá, eu e meu marido. Logo depois os pais biológicos chegaram, entraram na sala da psicóloga, uma sala cheia de brinquedos, convidativa à uma criança. Na hora de entrar Rafaela fez um escândalo, ela não queria entrar lá sozinha, segurava meu pescoço, chorava... ela não os conhecia, eram pessoas estranhas... Mas as psicólogas insistiam... Quando a menina não parava de chorar elas a traziam de volta. Nas primeiras visitas foram assim, ela não conseguia ficar o tempo todo da visita lá dentro da sala e elas a traziam pra mim. Nós esperávamos no corredor. Depois os pais biológicos começaram a trazer os outros dois filhos , na intenção de fazer com que a Rafa ficasse lá dentro, afinal criança gosta de outras crianças... Essa fase foi muito difícil... Ver minha filha aos prantos sem querer entrar na sala. Mesmo com as crianças , a Rafa saía da sala várias vezes e ia até nós, para se certificar que estávamos ali. A psicóloga pediu que levássemos brinquedos, os que ela mais gostava, pra tentar fazê-la entrar na sala e ficar lá durante uma hora, mas era difícil. Com o tempo levaram Rafaela lá pra baixo, pro pátio da Vara, pra ela ficar correndo e brincando na companhia deles... A Antonia passava por nós, debochando... E eu pensava, como uma pessoa pode ter uma postura desta com outra mulher que criou a filha dela com todo carinho e dedicação? Ela não admitia que todo aquele sofrimento foi causado pela atitude dela mesma! Com o passar dos dias, meu marido não pôde mais ir conosco por causa do trabalho, então minha irmã começou a nos acompanhar e sofrer também aquela hora que parecia interminável... Durante estas visitas aconteceram alguns conflitos. Uma vez minha filha veio correndo pelo corredor chamando por Márcio : papai! E a avó materna, a mãe da Antonia, foi atras dela e disse: não, o seu pai é aquele que está lá dentro da sala, esse aí não é seu pai! Nem essa é sua mãe. Virei bicho! Como aquela senhora poderia falar assim com nossa filha? Uma mulher que não soube da gravidez da filha, não reparou a barriga por 9 meses crescendo, e agora depois de 2 anos, queria dizer a Rafa quem era o pai e a mãe dela? Teve uma discussão. A mulher, avó materna, era uma pessoa insuportável, mas nós nem desconfiávamos que ainda estava longe de sabermos quem ela era realmente... Teve uma visita que ela sentou numa cadeira atrás de mim, e ficava batendo com os pés na minha cadeira. Eu respirei fundo e troquei de lugar. Minha irmã ficava ao meu lado orando, e a mulher remendava o que minha irmã falava... Ela procurava nos provocar de todas as maneiras. Eles estavam se achando! E em nenhum momento pensaram se Rafaela iria sofrer ou não. Durante estas visitas a psicóloga nos chamou, perguntou como a Rafa estava, eu contei que ela tinha mudado depois que começaram as visitas, estava um pouco agressiva, insegura... Alguém achou que seria diferente? Uma criança de 2 anos, entra numa sala e falam pra ela : essa é sua mamãe, esse é seu papai, esse é seu irmão, essa é sua irmã! Como será que fica a cabecinha da criança? A mamãe e o papai ,ela conhecia muito bem desde que nasceu, e a irmã dela era a Izabella a filha de Márcio. ( era a imã gande, como ela dizia) Então sabe o que a psicóloga da Vara da Infância me disse? Ela está agindo assim porque está descobrindo que não saiu da sua barriga! Gente, onde estão os profissionais preparados, capacitados para lidarem com os casos que tem crianças envolvidas? Rafaela tinha apenas 2 aninhos, e nunca escondi que era filha afetiva, mas ela ainda não entendia bem por causa da idade. Mas querer jogar a culpa do que estava acontecendo em cima de mim? Eu respondi no mesmo nível: Não, ela está assim, porque descobriu que a mãe biológica a rejeitou ... É claro que Rafaela não tinha ainda noção de uma coisa nem outra. E não precisa ser psicóloga pra saber disso. A menina estava passando por mudanças tremendas, e era demais pra cabecinha dela. Quando acabava a visita, ela vinha correndo pra nós. Neste período eu poderia jurar que uma hora não tinha apenas 60 minutos... não era possível, como demorava a passar... Um dia a psicóloga me ligou e disse que havia chegado o momento da Rafa ir passar a tarde na casa deles. Estremeci! Mas a defensora que nos acompanhava conseguiu com a juiza titular que esse dia fosse adiado... Mais tarde, não adiantou, veio a decisão que a criança já poderia ir passar a tarde com eles. Na verdade a psicóloga disse que o ideal seria passar apenas uma hora lá na casa , para ela ir se acostumando aos poucos, mas como eles moravam muito longe, e enfrentavam mais de uma hora de Av Brasil pra ir, e mais uma hora pra voltar, por este motivo ela ficaria mais um tempo com eles. Seria muito sacrificante pra criança... Ela chegou a ir pra lá um dia apenas. E a psicóloga foi na casa deles e disse que ela estava muito bem! Me disse que a Rafa estava se dando muito bem com os pais biológicos, que já os reconhecia como pais, e parecia gostar deles! Eu respondi: O aluno gosta da professora, mas nem por isso ele quer deixar a mãe e morar com ela! Será que todos os profissionais desta Vara da Infância são parciais, e apenas a favor dos laços de sangue? As psicólogas pisavam em ovos conosco, elas diziam que nunca ocorreu um caso de devolução de criança depois de tanto tempo com uma família afetiva. Uma vez elas me pediram uma lista de lugares que nós levávamos a Rafa pra passear. Eu perguntei pra que, elas responderam que iriam dar pra Antonia, porque ela deveria fazer de tudo para que a vida de Rafaela não sofresse uma mudança radical. Isso era uma piada? Claro que eu não fiz lista nenhuma. Gente, uma mulher que mora na Zona Oeste da cidade, pra quem conhece o Rio , sabe que Bangu é longe da Tijuca, com 3 filhos pequenos, iria sair de lá e levar Rafaela pra Pracinha Xavier de Brito pra andar de cavalinho, pra brincar no pula pula no parque dos Patins na Lagoa, pra ver os helicópteros decolando... Quando disse isso, elas alegaram que a Antonia estava demonstrando ser uma mãe muito dedicada, e iria fazer de tudo para a Rafa não sofrer... Elas mal sabiam o que minha filha ainda iria passar nas mãos da Antonia. Neste tempo entramos com a apelação , sobre aquela decisão da sentença da juíza louca. Mas esta sentença ficou rolando um bom tempo na Vara, não subia pra Câmara de jeito nenhum. Tentávamos falar com a defensora e não conseguíamos. Depois descobrimos que a apelação ficou trancada na gaveta da juíza titular da Vara da Infância por 3 meses, até hoje não sabemos o porque. Na época a defensora disse que estavam tentando fazer com que a juiza louca da audiência se retratasse, mas nada aconteceu... Um dia fomos a Vara da Infancia com uma amiga que é advogada, e ela tentou fazer uma pressão pra saber se a juiza tinha aceito o pedido de apelação ou não, queríamos uma resposta, o tempo estava passando. Passado algum tempo acompanhando o processo pela internet descobrimos que uma outra juiza, havia aceitado a apelação com efeito suspensivo, isso queria dizer que por enquanto estariam suspensas as decisões até segunda ordem. Liguei pra psicóloga e disse que não levaria mais Rafaela nas visitas. Que alívio! Mas logo na semana seguinte recebi uma ligação da tal psicologa dizendo que a juiza mandou que levássemos a Rafa lá no dia seguinte, às 14h. Porque levar a Rafa ? Perguntei. Ela disse que não sabia responder. Entramos em pânico. Um outro advogado, conhecido de uma amiga, foi a Vara da Infancia pela manhã e nos disse que era ordem da juiza mesmo, que tínhamos que levar a criança lá. Dia 25 de outubro de 2013, o dia mais triste da minha vida.



Esse vídeo editei para o meu marido, o único e pai que a rafa conhecia até aquele dia. E o melhor pai que ela poderia ter!


 
 
 

Comentários


Conheça os Pais Ninja

Nós somos a Sara e o Raimundo...

Posts Destacados
Verifique em breve
Assim que novos posts forem publicados, você poderá vê-los aqui.
Posts Recentes
Procure por Tags
Nossa Comunidade 

Super mamãe

Rei dos Papais

Cidades dos Bebes

Crianças Artísticas

  • Google+ Black Round
  • Facebook Black Round
  • Twitter Black Round

© 2023 por Blog da Paternidade

Orgulhosamente criado com Wix.com

Av. Bernardino de Campos, 98, São Paulo, SP 12345-678

info@meusite.com

Tel: 011-3456-7890

Fax: 011-2345-6789

bottom of page