Capítulo 7 - Nova decisão do desembargador
- 12 de out. de 2015
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Depois que fizemos a busca e apreensão na casa deles, e não achamos minha filha lá , e a genitora se recusou a dar o paradeiro dela, pensamos:Onde estará Rafaela? Agora a justiça deve tomar uma providência, uma atitude mais drástica! Mas não... o desembargador resolveu voltar atrás... suspendeu todo o processo... Deixou a guarda com os genitores,parou tudo. E marcou uma reunião de mediação com as duas famílias no dia 17 de dezembro às 11 h da manhã. Disse que estava preocupado com o bem estar da criança... pelas atitudes da genitora a criança poderia estar correndo risco, tipo “se não ficar comigo não fica com mais ninguém”... Não sabíamos como Rafaela estava, não tínhamos notícias... As visitas técnicas das psicólogas da Vara da Infância para acompanhamento da criança não estavam acontecendo... Porque aquela mãe dedicada que as psicólogas tanto defendiam, agora nem elas conseguiam encontrar, ligavam e estava sempre na caixa postal.. Uma criança de dois aninhos, que passou por aquela retirada brusca da única família que conheceu, e nem visita da equipe técnica da Vara da Infância para acompanhar não estava tendo... o que poderia estar acontecendo com minha filha? Falar nisso vocês acreditam que nos dois anos e um mês que nós criamos Rafaela, em nenhum momento veio aqui em casa algum profissional da equipe técnica da Vara da Infância, seja assistente social ou psicóloga, para verificar se a criança estava bem? Nunca recebemos nenhuma visita... Nunca vieram aqui para se certificarem que a criança estava bem tratada, com saúde, que tinha seu quarto, seus brinquedos, uma vida feliz! Será que alguém estava preocupada com a saúde física, mental e psicológica de minha filha????? Descobri nesta fase, que existe dor pior do que a morte... Você chora por um filho morto, pela ausência dele, se acaba, fica com cicatrizes eternas e lembranças... mas tem o conforto de saber que seu filho está bem, está no céu ( eu acredito assim). Acabou, você tem que seguir em frente com sua vida. Já a perda de um filho vivo, além de sofrer pela ausência dele e pela saudade, o que te mata é a preocupação de não saber como ele está, se está dormindo, comendo, te chamando, sofrendo...
Quando um filho morre, você precisa se desfazer das coisas, acabou, ele não vai voltar... Mas viver o luto de um filho vivo, e não saber o que fazer com as coisas, com o quarto, cdom aquela esperança que teima em acender lá no fundo do coração que ele vai voltar, é muito doloroso.. você para... não consegue seguir em frente... E o desembargador marcou a tal reunião para um acordo, mas e se nesta reunião de mediação marcada resolvêssemos fazer um acordo, quem iria nos garantir que a mãe biológica iria cumpri-lo, já que não cumpriu nenhuma decisão judicial até agora? Pensei. Estávamos vivendo um pesadelo... E só Deus poderia intervir neste processo cheio de arbitrariedades e injustiças, mas apesar de todo o sofrimento , sempre cremos em um Deus de milagre! E sempre pedimos que Ele guardasse minha filha, onde quer que ela estivesse... Na primeira reunião de mediação os casais entraram separados com os advogados para que as mediadoras, ficassem a par de todos os acontecimentos até ali... Depois entramos todos juntos na sala. Antonia disse com a cara mais deslavada do mundo que Rafaela era muito chorona, que não dormiu nas primeiras noites e teve dias de febre emocional... E que ela tinha três filhos, não podia ficar dando colo não! Meu Deus... comecei a chorar, sem conseguir me conter... minha filha teve dias de febre emocional... sentindo a nossa falta... E ainda assim a genitora não nos procurou.. Ela contava isso como se fosse a coisa mais normal do mundo... Ela deixou claro desde o inicio que não queria a nossa aproximação. A genitora me acusava de não ter devolvida Rafaela na época que ela pediu... eu tentava explicar que eu tinha uma guarda provisória que valia até o final do processo, a própria justiça me deixou ficar com Rafaela até os dois anos e um mês... E no dia 25 de outubro, quando recebemos a ordem de entregá-la, foi isso que fizemos , por mais difícil que tenha sido pra nós... Mas ela não entendia... Então me humilhei e pedi perdão , meu Deus, eu queria era ver minha filha... Disse a ela que se eu tinha errado ela também tinha, agora era hora de assumirmos as consequências dos nossos erros. Ela tinha que aceitar que nós também fazíamos parte da vida de Rafaela. A nossa proposta era parar com o processo na justiça, e tentar iniciar uma relação amigável entre as duas famílias, para que pudéssemos, acompanhar o crescimento da Rafa, de repente uma guarda compartilhada no futuro. Neste primeiro encontro chegamos a nos abraçar e chorar, eu e a genitora. Pedi por favor, que não afastasse a Rafa de mim... Fizemos um acordo, a princípio buscávamos a Rafa no sábado e entregávamos no mesmo dia. , lá na casa deles. No dia da primeira visita eu não consegui dormir... Muita ansiedade, tensão... será que desta vez vou conseguir vê-la? Depois de tantas tentativas frustradas... Chegamos antes da hora marcada e ficamos esperando no portão. Vi minha filha vindo no colo da genitora. A família biológica toda veio ao portão, os pais, os irmãos e avó materna. Meu coração parecia que ia sair pela boca... Quando chegou bem perto, Rafaela olhou pra mim, fez um beicinho, começou a chorar baixinho... as lágrimas rolando pelo rostinho...nunca vou esquecer aquela expressão no rosto de minha filha... Meu Deus! Se passaram dois meses, acho que ela não quer mais vir comigo...ela está chorando... Aí a avó e a genitora disseram pra minha filha: não chora não, você só vai passear com a tia Paula, depois você vai voltar... Comecei a chorar também... Peguei Rafaela no colo, falei pra ela dar tchau pra família bio e entramos no carro. Depois entendi aquele chorinho da minha filha. Ela quando me viu, os olhinhos foram se enchendo de lágrimas, como se me perguntasse: mamãe, onde você estava? Porque me deixou aqui? Porque sumiu? Era um chorinho de angústia, de decepção, de abandono... Aquela reação dela acabou comigo... Eles estavam ensinando a menina a me chamar de tia... sabe lá o que mais disseram pra ela... No carro Rafaela me abraçava forte, agarrava no meu pescoço, como se dissesse: você voltou pra me buscar! Olhou meu marido e gritou: Papai!!! Viu minha irmã e uma amiga que nos acompanhava e logo as reconheceu! Viemos quase todo o caminho abraçadas... De vez em quando ela me fazia um carinho e eu retribuía... queria respeitar o tempo dela... Quando chegamos perto de casa, ela reconheceu também! Correu para o portão do prédio e disse : minha casa mamãe! Estou digitando, e as lágrimas não param...as lembranças daquela primeira visita depois de dois meses vêm a minha mente como em um filme... Quando a Rafa entrou em casa que viu as coisas dela, eu não mexi em nada nestes dois meses, tudo estava no lugar que ela deixou, ela ia segurando tudo e falando: é meu mamãe! É meu! Sim, filha, é tudo teu! Todos nós chorávamos. Entrou no quarto, olhava o berço, os brinquedos, abria as gavetas pegava as roupas e falava: é meu mamãe! O dia passou rápido, tínhamos hora estabelecida para devolvermos a Rafa, e eles moravam muito longe, então perdíamos mais de uma hora vindo e depois mais de uma hora voltando. Mas o pior foi na hora de ir embora... Quando chamei ela, ela ficou desconfiada... começou a chorar... Começamos a mostrar brinquedos e dizer pra ela: escolhe alguns brinquedos pra você levar e brincar com seus irmãos, vai ser muito legal! Mas ela se recusou a levar qualquer coisa daqui... Em todas as visitas seguintes Rafaela não aceitava levar nada... Não sei o que passava na cabecinha dela.. talvez achasse que se levasse algo, não voltaria mais... Talvez na cabeça dela o lugar destas coisas era aqui, na casa dela! Ao entrar no carro, ela pediu para dormir, me abraçou, colocou o dedinho na boca ( a Rafa chupava dedo desde o ventre), e foi caladinha até lá... Quando o carro parou, ela levantou a cabecinha e viu o lugar, reconheceu e começou a chorar muito forte e alto! Não mamãe! Não! Mamãe Antônia Não! Eu estava desesperada com aquela reação de Rafaela... Não sabia o que fazer, começamos a chorar e pedir que ela se acalmasse.. impossível! Liguei pra Antonia descer, mas ela estava fazendo umas comprinhas numas lojas perto de casa , pediu que eu esperasse um pouco já iria voltar pra casa... Meu Deus, ela disse tanto na reunião de mediação, que estava muito preocupada, com medo que nós pudéssemos sumir com a criança e não devolver mais... estava tão preocupada que não esperou em casa a Rafa voltar, foi às compras! Então apareceu a avó. E ela queria pegar a Rafa. Eu pedi, por favor, vamos esperar a Antonia, deixa ela ficar comigo até ela chegar. A avó insistia. Rafaela gritava, agarrada no meu pescoço. Logo depois a Antonia chegou com as bolsas, e pegou a Rafa. Aos prantos a minha filha repetia: mamãe Antonia não! E e a genitora disse: ela é assim mesmo! Chorona! Meu Deus, ela não conhecia minha filha, a Rafa nunca foi chorona.. será que ela não entendia o que a criança estava passando? Será que não poderia ter um pouco de paciência com a criança que ela mesma deu a luz? Entramos no carro e voltamos... deixei minha filha me gritando, me chamando, e não pude fazer nada... só chorar... Cheguei em casa, meu peito doía muito... Me sentia completamente impotente... Este foi o primeiro dia de uma série de visitas. Em todas elas, na hora de voltar Rafaela perguntava: onde gente vai mamãe? E quando eu respondia , pra casa da mamãe Antonia, o choro começava. Tenho vários vídeos comprovando esses momentos tristes... Fizemos ainda mais algumas reuniões de mediação, tentando aumentar um pouco a duração da visita, afinal a sentença nos dava direito a um final de semana, e era muito cansativo e desgastante pra nós e principalmente pra Rafa, aquela correria toda... Antonia, na segunda reunião já disse que a visita tinha feito muito mal a Rafaela, que ela demorava a voltar para eles, depois que vinha daqui de casa... O que ela esperava? Afinal aqui era a casa dela, a vida dela... Disse que eu tinha criado ela com mimos e dengo, e ela não podia tratar assim, pois tinha três filhos... Mimo???? Eu criei minha filha com amor! Queríamos buscar a Rafa no sábado e entregá-la na segunda pela manhã... Mas a Antonia se opôs, dormir conosco ela não aceitaria! Enfim, minha advogada colocou que tínhamos este direito, se ela não quisesse o acordo, iríamos correr atrás. Então ela aceitou que pegássemos no sábado e devolvêssemos no domingo a noite, alegando que tinha matriculado ela na escola... Na visita seguinte levei panetone e presentes para as crianças! Apenas lembranças, brinquedos, com a intenção de agradar, de me aproximar. Depois de um tempo a Rafa já sabia que eu a pegava mas depois ela teria que voltar, então já no domingo ela mudava.. ficava um pouco triste e pensativa... Na hora de arrumá-la pra voltar ela inventava que queria ir na casa da Nana, minha outra irmã, na padaria... E quando entrava no carro, era o dedo na boca e dormia até lá... mesmo que ela tivesse acabado de acordar do soninho da tarde... era uma fuga... Numa das reuniões de mediação a Antonia disse que não queria que Rafaela me chamasse de mãe, e sim de tia... Coitada, ela achava que a nomenclatura iria mudar alguma coisa... não sabia que o importante era o amor... ela insistia em mandar a Rafa me chamar de tia, e quando a menina entrava no carro gritava: mamãe!!!! Eu aleguei que isso seria mais uma agressão à criança, já que a Rafa me reconhecia como mãe desde que nasceu... Disse que poderíamos tentar dizer a ela que teria duas mães. Mas ela não aceitava o amor que eu e Rafaela tínhamos uma pela outra... Numa outra visita levei muitas roupas da Rafa, que não cabiam mais nela, e outras ainda com etiquetas, novinhas pra dar para irmã menor. A Antonia aceitou. Mas na reunião de mediação seguinte, a Antonia simplesmente disse que não queria mais acordo, queria ir pro julgamento. As mediadoras tentaram fazer com que ela mudasse de ideia, a advogada também, o próprio defensor dela disse que achava que a criança precisava de nós também... O suposto pai queria continuar, mas o casal deveria concordar entre eles, e ela foi irredutível... Chorei muito... Tive medo de não poder ver mais a Rafa... Perdemos tanto tempo nestas reuniões, paramos o processo, propomos um acordo amigável, ela aceitou, mas agora não queria mais... A batalha judicial iria recomeçar de onde parou... As visitas de 15 em 15 dias continuaram. No começo essas visitas eram um misto de alegria tremenda por estar com minha filha, mas de uma angústia infinita na hora de entregá-la... Ver o sofrimento dela, e não conseguir fazê-la entender que eu a devolvia porque tinha que obedecer uma ordem judicial... Mas com o tempo, as coisas pioraram ainda mais... Continuo no próximo capítulo.
Estou postando uma parte do vídeo quando a entregamos na primeira visita. Só de ver, meu corpo todo estremece...













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