Capítulo 8 - Ameaças e agressões
- 11 de out. de 2015
- 9 min de leitura

Continuamos a buscar Rafaela aos sábados e entregá-la no domingo a noite. Esses finais de semana eram sacrificantes... acordar cedo sair e já enfrentar engarrafamento na Av. Brasil, demorar uma hora pra chegar ao bairro deles, e depois voltar no dia seguinte a noite para levar a Rafa... o engarrafamento era pior neste horário, sem falar no perigo de pegar a Av. Brasil , e ainda enfrentar um bairro dominado pela milícia. Mas tudo valia a pena para estarmos com nossa filha, qualquer sacrifício... Um dia a avó materna, que agora estava na casa deles todos os dias de visita, desceu antes da genitora e pediu pra falar comigo e com meu marido. Saímos do carro. Então ela disse que a gente deveria desistir de Rafaela, aquelas visitas não poderiam continuar! Nós dissemos que enquanto a lei nos desse esse direito, não desistiríamos nunca de nossa filha! A conversa virou discussão! Perguntei por que ela não orientou a Antonia a não dar a própria filha, como ela como mãe não viu a barriga da gravidez da Rafa por nove meses? Onde ela estava? Então ela me ofendeu, e disse que eu não sabia o que uma mulher sentia durante a gravidez, que a Antonia teve depressão. Eu refutei, era mentira! Ela me deu Rafaela antes dela nascer, não estava em depressão pós-parto! Disse também que eu já havia ficado grávida, e sabia muito bem como uma mulher se sente... ela perguntou: e onde está seu filho? Deus não te deu filhos! Ela perguntou isso porque sabia que meu bebê tinha partido ao nascer... Não aguentei,alterei a voz, disse pra ela que Deus sabe o que faz, por isso ela só teve uma filha, porque não conseguiria imaginar o mundo com mais de uma Antonia, seria o caos! Ela queria partir pra cima de mim... meu marido me mandou entrar no carro! Poucas vezes vi Márcio falar daquele jeito, então obedeci e entrei. Ela continuou a agredir meu marido verbalmente, ele calado, olhando pra ela... Estava fazendo de propósito, pra provocar em nós uma reação ainda mais agressiva. Quando a Antonia desceu e me entregou a Rafa foi logo mostrando o rostinho dela com uma mancha roxa e justificando que o irmão tinha batido nela com um brinquedo... Ah.. então era por isso que a avó queria nos convencer a desistir das visitas, pra não vermos o hematoma no rosto da menina... Quando chegamos em casa e fui mudar a roupa dela, vimos outras manchas roxas... nas costas, no ombro, no bumbum... Comecei a chorar... Liguei pra minha advogada, ela me orientou que fotografasse e levasse a Rafa ao médico. Foi o que eu fiz. Ela preparou uma petição pedindo que a guarda voltasse pra nós, devido aos fatos recentes... Mas infelizmente, isso também não foi relevante para o desembargador, pois a genitora alegou que ela não batia nela, e sim o irmão... e ela não estava preparada ainda para ser mãe de três crianças.. ainda estava se adaptando... A explicação da genitora foi aceita pela justiça. Eu não queria saber quem estava batendo na minha filha! Ela não deveria estar apanhando de ninguém!!!!!! Quando Antonia soube que levei o fato a justiça, ela me ligou irada, gritava ao telefone, me ameaçando e xingando, eu gravei a ligação. Não posso postar aqui devido a quantidade de palavrões... Ela disse: Você vai ver só daqui a 15 dias quando vier buscar Rafaela, vou tacar a mão na sua cara! Você não me conhece, não sabe quem eu sou, de onde eu vim, você vai ver o catiço na sua frente! Procurei o significado da palavra catiço, que eu não conhecia : pessoa má, ou entidade da umbanda. Uma amiga me disse que no contexto significava: você vai ver o diabo na sua frente. Esta gravação também foi levada ao desembargador, relator do processo, até para que fosse providenciado segurança pra nós durante as visitas. Mas o desembargador também não achou a gravação relevante... Nas próximas visitas teríamos que nós mesmos cuidar de nossa segurança, afinal eu tinha sido ameaçada! Meu medo era que Antonia descontasse sua raiva em Rafaela. Na próxima visita, fomos em dois carros, meu cunhado foi junto pra dar uma força. Quando estávamos esperando a Rafa descer, a avó materna apareceu foi abrindo a porta do carro onde estava minha irmã e a agrediu fisicamente com tapas nas pernas... Partiu pra cima do outro carro perguntando onde eu estava. A mulher estava enfurecida, queria bater em quem ficasse na frente, meu marido e meu cunhado saíram do carro, um homem alto, acho que era irmão dela, a segurava, uma vizinha também, mas a mulher parecia enlouquecida, e ninguém conseguia contê-la. Confusão no meio da rua, ela gritava e xingava, queria nos agredir fisicamente. Ameaçaram e cumpriram! Foi horrível, parecia cena de novela, nunca vivi uma baixaria deste tipo... Comprovado mais uma vez, a família era barraqueira! Meu Deus, com que tipo de gente fomos nos meter.... Por amor a Rafaela, não revidamos as agressões. Suportamos tudo, pegamos a Rafa e fomos direto a delegacia do bairro para registrar a ocorrência. No meio de toda aquela tensão, passamos mais um final de semana com minha filha! E isso era uma benção! Quando a Rafa estava aqui em casa eu fazia questão de falar normalmente na mamãe Antonia, no papai João, para que ela se sentisse mais segura... mas ela não queria tocar no assunto, não queria falar deles... Talvez porque eles proibissem falar de nós quando ela estava lá... Na hora de entregar a Rafa, a noite, ficamos receosos.. não sabíamos do que aquela gente era capaz... Quando chegamos, liguei pra Antonia, ela desceu e pegou a Rafa. Bem, pelo menos desta vez não teve confusão. Quando já estávamos dentro do carro, quem aparece? A avó, que novamente começou a nos agredir verbalmente, meu marido e meu cunhado saíram do carro, pediram que ela saísse da frente, mas ela partiu pra cima deles de tapas e socos, e até rasgou a camisa do meu cunhado. Chovia muito. Eu e minha irmã dentro do carro ligávamos pra delegacia do bairro pedindo uma viatura, mas isso durou quase uma hora, e eles diziam que não tinha viatura disponível no momento... A avó batia no carro, parecia que ia quebrar os vidros. Meu marido e meu cunhado apanharam, foram agredidos com as mãos pra trás. Uma prova de fogo! O que ela queria era que um deles desse um soco nela, revidasse, aí ela seria a vítima... mas eles aguentaram firmes... Antonia voltou com a Rafa no colo e começou a agredir também. Saí do carro, pedia pra ela levar Rafaela pra dentro, pra menina não assistir aquela cena, mas ela não se importava. Peguei minha câmera e comecei a gravar a atitude da avó, quando Antonia, ainda com a Rafa no colo, tirou a máquina da minha mão e tacou no chão, quebrando e destruindo minhas provas...Minha irmã também implorava pra ela entrar com a Rafa, mas não adiantava... Será que eles não tinham consciência do mal que isso faria a criança? A avó, pegou a bolsa e saiu, meu cunhado disse que ela teria que esperar pois a viatura policial estava chegando, mas ela saiu assim mesmo... Fomos para a delegacia. Outro registro de ocorrência. Quando estávamos dando nosso depoimento, quem chega à delegacia gritando? A avó! Acompanhada da tia da Antonia, que era advogada, o homem alto que estava lá no sábado pela manhã, acho que irmão dela, e mais um casal. Pasmem! Ela também tinha ido a delegacia fazer BO contra nós, alegando que tinha sido agredida, e mostrando marcas de arranhões nos braços. Mentirosa! Será que se arranhou para dizer que fomos nós? Queria gritar e nos ofender na delegacia, mas o inspetor logo a colocou no seu lugar, e ela ficou quieta. Neste dia a tal tia advogada, ameaçou meu marido dizendo que ia mandá-lo para o inferno! Saímos de lá, muita chuva, muito tarde, quase madrugada, pra voltar pra casa pela Av. Brasil... quando lembro todos os perigos e riscos que corremos... Deus nos livrou de muitas armadilhas...eu creio! Desde esse momento, não havia mais relacionamento entre as famílias, quando eu buscava Rafaela falávamos somente o indispensável. Antonia decidiu que não queria mais que eu lavasse o cabelo da Rafa, disse que o shampoo que eu usava ressecava o cabelo dela..rs... Quase dei uma resposta a altura,, mas engoli... Eu tentei de tudo para que não houvesse mais confusões. Isso era muito ruim para minha filha. Às vezes levava a Rafa na piscina, e como poderia entregá-la sem lavar a cabeça? Mas ela dizia que apenas dois dias, não tinha problema... Gente, quem olha o cabelo da minha filha quando ela morava conosco nota a diferença de quando ela foi pra lá e eu só buscava para visitas e não pudia tratá-lo...... Como o cabelo da Rafa era bem crespo e cheio, puxou a genitora, eu usava creme, e não passava escova, apenas o pente, então ele ficava com cachos...Agora eles puxavam o cabelo todo pra trás com escova, para fazer aqueles pitocos, e o cabelo ficava espichado, não encaracolava mais... Quantas visitas, eu tinha que dar banho na menina com cuidado pra não molhar o cabelo para a outra não arrumar um problema na hora de entregá-la.... Como contei antes era muito difícil a Rafa ficar doente, nem resfriada ficava... Mas agora, em todas as visitas a menina vinha com nariz escorrendo e catarro. Emagreceu muito também... Uma vez teve febre, levei no médico, comprei os remédios e levei pra Antonia, pois eu não poderia dar o medicamento nos dias seguintes. Na segunda-feira liguei pra saber notícias da Rafa, mas Antonia não me atendia... A noite consegui falar com o suposto pai, e foi ele quem me disse que Rafaela estava melhor, não sei se era verdade... Depois a Antonia decidiu que eu deveria entregar a Rafa com a mesma roupa que ela viesse de lá... não queria mais que eu mandasse nenhuma roupa daqui... Que pobreza de espírito... Parecia que ela queria arrumar um motivo pra confusão, às vezes acho que queriam nos vencer pelo cansaço... Criavam tantos problemas, para que desistíssemos das visitas. Quando Rafaela chegava, eu tirava a roupa com cuidado pra não sujar, porque ela teria que voltar com aquela mesma roupa no dia seguinte. Quando no domingo, minha filha me via com a roupa da mão, ela já sabia que ia voltar pra lá... Jogava a roupa no chão, não queria vesti-la... Rafa tinha um armário cheio de roupas, e Antonia não aceitava que eu mandasse nenhuma pra lá... Nesse ano o dia das mães caiu no final de semana da minha visita, fiquei feliz! Aí a Antonia me ligou, perguntando se eu não poderia trocar a visita. Ela ainda passaria o dia das mães com os outros dois filhos, e eu? Perderia a oportunidade de passar ao lado de minha filha? Não! Disse a ela que no domingo a levaria mais cedo, pra que ela pudesse ficar um pouco do dia das mães com a Rafa também. Minha irmã comprou uma blusa pra que Rafela desse pra Antonia de presente. Fazíamos tudo para agradar, suportávamos tudo por Rafaela, para poder estar perto dela... Não engolimos sapos apenas, engolimos o brejo inteiro! Sabe o que a Antonia fez, quando chegamos e demos o presente pra Rafaela entregar? Não aceitou , disse que não queria.
E assim infelizmente, por atitudes deles,acabou qualquer possibilidade de uma relação amigável com a família biológica. Durante o tempo das visitas eu vi nitidamente que minha filha não estava bem... não precisava ser psicóloga pra ver isso... Quando chegava aqui ela só queria meu colo, agarrada no meu pescoço, não queria ir no chão... Quando meu marido saía de perto ela gritava : papai, não, papai! Ela estava demonstrando o medo de nos perder... Ela começou a ter medos, inseguranças, corria pro meu colo e dizia que no quarto tinha o lobo mau... Eu conversava com ela...lembrava das histórias que eu contava... ela ia acalmando... As vezes ela tinha um acesso de ira, jogava tudo no chão, e dizia: eu sou feia! Sou muito feia! Eu a abraçava, conversava ( a gente sempre teve o hábito de conversar de mãos dadas, olhando nos olhos, desde muito pequenininha), dizia que ela não era feia, era linda! A atitude dela que estava errada, que era normal ela ter raiva, ficar nervosa, a mamãe também sentia estas coisas, mas não podia fazer aquilo... A Rafa também regrediu muito, começou a comer com a mão, não queria mais usar o talher... Com todas estas evidências, procurei uma psicóloga infantil que atendesse aos sábados, pra levar a Rafa mesmo que fosse de 15 em 15 dias. Eu precisava fazer alguma coisa para ajudar minha filha! Mas a profissional me disse que infelizmente só poderia atendê-la se eu tivesse autorização da justiça ou da genitora... logo não pude levar minha filha a um tratamento psicológico... Estava de pés e mãos atadas... A única coisa que poderia dar a Rafaela era meu amor! Buscá-la naquele lugar mesmo com sacrifício, correndo riscos, gastando uma grana de combustível, levando-a pra passear onde ela gostava, pra andar no Barney, o cavalinho da pracinha que ela dizia que era dela..rs... Fazer com que nestes finais de semana aqui, ela se sentisse feliz! E assim foi até setembro de 2014, quando ocorreu o julgamento da nossa apelação. No próximo capítulo vou postar um vídeo da Rafa aqui em casa na hora de voltar pra lá...
Fotos dos hematomas e machucados que a Rafa vinha .


Rafa na hora de voltar pra casa da família biológica.













Comentários